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domingo, 17 de junho de 2012

"Marcha pelo Parto em Casa" acontece hoje pelo país; conselho vai abrir sindicância contra médico que defendeu a prática na TV

Débora Melo

Do UOL, em São Paulo

Mulheres de ao menos 11 cidades, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, vão às ruas neste domingo (17) para protestar pelo direito de grávidas decidirem se querem ter seus filhos em casa ou no hospital.



A “Marcha pelo Parto em Casa” foi organizada  as redes sociais após o Cremerj (Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro) pedir à entidade paulista, o Cremesp, a punição do obstetra Jorge Francisco Kuhn, que defendeu o direito de mulheres saudáveis optarem pelo parto domiciliar.
Em entrevista no último dia 10 ao “Fantástico”, da TV Globo, Kuhn afirma que o parto “não é um procedimento cirúrgico”, mas “um ato natural”, e que mulheres sem problemas clínicos ou obstétricos podem optar pelo parto em casa. Não há proibição, mas o Conselho Federal de Medicina recomenda que, por segurança, os partos sejam feitos apenas nos hospitais.
O Cremesp informou que ainda não recebeu oficialmente a denúncia contra o obstetra, mas que uma sindicância será aberta quando o documento chegar. “Um médico não pode ser punido sem que seja aberta uma sindicância. A entrevista será analisada, ele será ouvido, e o conselho vai julgar o caso, que poderá ser arquivado ou gerar um processo”, disse a obstetra Silvana Morandini, conselheira do Cremesp. O médico Jorge Francisco Kuhn não foi localizado para comentar.
As organizadoras da marcha afirmam que não defendem o parto em casa, mas o “parto humanizado” e o direito de escolha da mulher. “O objetivo da marcha é trazer visibilidade para a questão, que está em um terreno sombrio da legislação. Os planos de saúde, por exemplo, não cobrem o parto em casa”, disse Ana Cristina, que trabalha tanto em partos domiciliares como hospitalares.Silvana afirma que o parto em casa não é recomendado pelo conselho, mas que os médicos têm autonomia e devem se responsabilizar por qualquer problema que ocorra durante o procedimento. “O parto tem uma condição inerente de risco, mesmo no caso de uma gravidez saudável, porque não dá para prever o que pode acontecer”, disse.
Fundadora do movimento Parto do Princípio - Mulheres em Rede pela Maternidade Ativa, a analista de sistemas Ingrid Lotfi, 34, que organiza a marcha no Rio, afirma que o debate deve se basear em estudos e dados científicos. “Estudos de todo o mundo mostram que os riscos de ter um bebê em casa ou no hospital são similares. Os números batem.”
Ingrid diz que é importante ressaltar que, para a realização do parto domiciliar, a mulher precisa estar em perfeitas condições de saúde. “O parto em casa muitas vezes está associado a irresponsabilidade, mas a mulher só pode fazer essa opção se tiver uma gravidez saudável. Por isso um bom pré-natal, em dia, é tão importante. É ele que vai dizer quem pode e quem não pode fazer essa opção. Também é preciso parteiras treinadas e um esquema de transporte disponível.”

Cidades que receberão a marcha*:

São Paulo (SP)
Concentração: parque Mário Covas (av. Paulista, 1853), 14h

Campinas (SP)
Concentração: praça do Côco /Barão Geraldo, 14h


Sorocaba (SP)

Concentração: parque Campolim, 10h



Ilhabela (SP)

Concentração: praça da Mangueira, 11h

Rio de Janeiro (RJ)
Concentração: praia de Botafogo, altura do IBOL, 10h


Brasília (DF)

Concentração: próximo ao quiosque do atleta, no Parque da Cidade, 9h30

Recife (PE)
Concentração: Conselheiro Portela, 203, Espinheiro, 15h
Fortaleza (CE)
Concentração: Aterro da Praia de Iracema, 17h


Salvador (BA)

Concentração: Cristo da Barra, 11h

Florianópolis (SC)
Concentração: praça da Lagoa da Conceição, 15h


Porto Alegre (RS)

Concentração: Monumento ao Expedicionário do parque Farroupilha (Redenção), 15h

*outras cidades podem aderir
Acessem o link e participem da votação!
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Obstetriz relata por que há tantas cesarianas no Brasil

Ótima reportagem da Obstetriz e Doula Ana Cristina Duarte!

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sábado, 16 de junho de 2012

Marcha do Parto em Casa - Amanhã!!!!

Participem! Divulguem!!




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Matéria do Fantástico Parto humanizado domiciliar divide profissionais da área de saúde

Parto humanizado domiciliar divide profissionais da área de saúde


Um vídeo está fazendo o maior sucesso na internet. É a filmagem de um parto em casa, sem anestesia e com a ajuda de uma equipe de profissionais de saúde. As imagens dividem os especialistas: é seguro ter um bebê fora do hospital? 




O vídeo mostra 14 minutos de um parto que durou nove horas. Em dois meses, já foi visto por 2,5 milhões de pessoas. Embaladas pela música de Maria Bethânia. 

A mãe, Sabrina, é sanitarista e terapeuta ocupacional. Ela escolheu fazer em casa o parto do primeiro filho, Lucas. Foi em novembro do ano passado, em Campinas, São Paulo. O pai, Fernando, participou de tudo. 

“Eu me lembro que quando o Fernando me beijava e me abraçava, parece que as contrações tomavam outro caminho”, diz Sabrina Ferigato.

A equipe de apoio tinha uma parteira, uma pediatra e duas doulas. A função de uma doula é dar apoio emocional à gestante. 

“O parto humanizado é uma forma de assistência ao casal, em que a mulher é a protagonista do próprio processo. Ela decide o lugar de parir, ela decide a posição que quer parir”, diz Lara Gordon, doula e responsável pelo grupo de parto humanizado Samaúma. 

A equipe pertence a um grupo que fez mais de 200 partos assim. A parteira foi uma obstetriz, com formação apenas em obstetrícia, sem a graduação anterior em enfermagem ou medicina. 

“Aonde o bebê vai nascer vai depender porque o trabalho de parto é longo, então a gente vai no chuveiro, vai na banheira, vai na cama, vai deitar, vai descansar, vai pra sala, vai comer e quando o bebê está mais perto de nascer a gente vai ficando em um canto e armando um canto”, diz a obstetriz Ana Cristina. 

O nome é parto humanizado domiciliar. E é claro que ninguém discute a ideia trazida pela palavra "humanizado". A polêmica está na palavra “domiciliar”. 

O Conselho Federal de Enfermagem diz que o enfermeiro obstetra pode fazer o parto em uma casa, desde que o ambiente apresente condições míninas de higiene. Já o Conselho Federal de Medicina recomenda aos médicos que realizem os partos em ambiente hospitalar. Lembra que em caso de complicações, há mais estrutura para o atendimento. E alerta que, nas emergências, o tempo perdido da casa até o hospital pode ser decisivo para a vida de mãe e filho. 

As Associações Brasileiras de Ginecologia e Obstetrícia também são contra o parto em casa. 

“O médico não está proibido de realizar o parto domiciliar, mas ele tem que estar ciente dos riscos que esse procedimento envolve e também estar ciente de que ele pode ser punido pelo Conselho Federal de Medicina, caso ocorra algum tipo de insucesso”, diz Vera Fonseca, diretora da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia. 

“Não é um procedimento cirúrgico. Parto não é um ato cirúrgico. O parto é um ato natural”, opina Jorge Kuhn. O coordenador do Departamento de Obstetrícia da Universidade Federal de São Paulo defende o parto em casa. Mas avisa: ele só pode ser feito quando a gravidez é de baixíssimo risco. 

“Aquelas que não apresentam nenhuma intercorrência, quer clinica, quer obstétrica, portanto: pressão alta, diabetes, pré-eclampsia, qualquer circunstância que possa aumentar o risco para essa mãe ou para esse bebê”, informa Jorge Khun. 

Essa, então, é a condição fundamental para a mãe que quer fazer o parto em casa: a gestação tem que ser perfeita. Qualquer probleminha no pré-natal é motivo para que a escolha seja a de fazer o parto em um hospital. 

Três milhões de bebês nascem por ano no Brasil. 2,2 milhões, em hospitais públicos. Segundo o Ministério da Saúde, a rede do SUS pode receber as mães que querem um parto humanitário, sim, mas não domiciliar. 

“É possível, e é o que acontece no Brasil. Queremos cada vez mais, o parto hospitalar humanizado. Parto natural, com analgesia, com acompanhante. Mas pode ser, como é no Brasil, 98% dos partos são em hospitais. E é isso que o Ministério da Saúde recomenda”, diz Helvécio Magalhães, secretário do Ministério da Saúde. 

Em uma maternidade pública de Belo Horizonte, Ariádila seguiu todos os procedimentos do parto humanizado, sem pressa, sem indução das contrações. Sempre ao lado do marido. Uma hora depois, mãe, pai e filho estavam juntos. O bebê, no colo dela. Pelo tempo que os dois quiseram. 

Em Campinas, Sabrina e Fernando levantaram a discussão, se recolheram pra curtir o mais novo integrante da família, e já decidiram. Se vier um segundo filho, o irmãozinho do Lucas vai nascer em casa. 

“Foi o dia em que eu me senti mais mulher, mais linda. Por esse dia valeu a pena ter vivido”, relata Sabrina.


Assista o vídeo da matéria!
http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1680907-15605,00-PARTO+HUMANIZADO+DOMICILIAR+DIVIDE+PROFISSIONAIS+DA+AREA+DE+SAUDE.html


Fonte: fantástico 
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O parto é fisiológico e não um ato médico


Médica manda e-mail ao Conselho Regional de Medicina de São Paulo e diz que acatar a denúncia do CREMERJ seria um atentado à liberdade de expressão e à própria constituição.
Artigo Científico - Realizado na Holanda que verificou a mortalidade dos bebês nascidos em parto normal domiciliar e hospitalar. http://www.nhs.uk/news/2009/04April/Pages/HomeBirthSafe.aspx


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sexta-feira, 25 de maio de 2012

Reportagem - Parto Humanizado

Vídeo realizado em Campinas relata alto porcentual de cesáreas realizadas em Campinas.

2011
Total partos: 14.462 
Rede Particular: 6.649 - 90% de cesáreas
Rede Pública: 7.813 - 46,2% de cesáreas

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domingo, 22 de abril de 2012

“Fomos projetadas para dar à luz”


Texto: Débora Rubin, de São Paulo |20 de abril de 2012
O número de cesarianas feitas entre as brasileiras e o parto como um momento sagrado da mulher são os temas que a inglesa Janet Balaskas veio tratar no Brasil
chamada

Uma das maiores autoridades mundiais sobre parto natural, a inglesa Janet Balaskas (foto) está no país para uma temporada de palestras e cursos divulgando seu conceito de “parto ativo”, no qual a gestante é a protagonista no nascimento de seu filho. Diretora do Active Birth Centre, em Londres, e autora de um livro sobre o tema, Janet veio ao Brasil para alertar sobre os perigos de o país ser o campeão de cesarianas do mundo. Na semana passada, ela fez apresentações e deu aulas no Rio de Janeiro. Nesta semana, em Curitiba, fez uma palestra aberta ao público sobre o assunto. Nesta entrevista, a britânica, que é mãe de quatro filhos e estuda o tema há mais de 30 anos, fala sobre a importância de cada mulher entender o parto como um momento único de sua vida e ainda sobre a necessidade de capacitar profissionais focados no parto humanizado.
O que é o Parto Ativo e quais são os benefícios?
A principal característica do Parto Ativo é que não restringimos os movimentos instintivos da mãe, como deixá-la confinada numa posição deitada. Ela pode seguir seus instintos para que seu trabalho de parto progrida melhor, para que possa se sentir mais confortável e também ajudar seu bebê a nascer. Os principais benefícios são o maior espaço na pélvis, contrações mais eficientes, melhor fluxo de oxigênio para o útero e para o bebê. O mais importante é que a mulher sente que está no controle. Ela tem uma consciência maior do poder de seu corpo e tem mais condições de se entregar à intensidade do trabalho sem drogas ou intervenções. Muitas mulheres vivenciam um parto ativo como uma experiência de êxtase, orgástica e sagrada, que elas se lembram para sempre. É isto que a natureza pretende.

Quando surgiu seu interesse por este assunto?
Foi quando eu estava grávida de meu primeiro filho. Eu acreditava que meu corpo instintivamente “sabia” como parir e que deveria haver outro modo que não fosse tornar-me paciente num hospital, deitada de costas. Foi quando comecei a procurar alternativas.

O Brasil é realmente o campeão mundial de cesáreas (52% dos partos)? Existe outro país com taxas similares?
Sim. De acordo com a pesquisa que fiz a partir dos relatórios da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o campeão. O país mais próximo é a China, com 46%. No Reino Unido, a taxa está em aproximadamente 24% – e já achamos muito alta. A OMS recomenda entre 10 e 15%. Muitas britânicas preferem o parto natural e 88% dos nossos hospitais oferecem, atualmente, centros para parto normal com ambiente aconchegante que lembra o lar da mulher. Estes são dirigidos por obstetrizes e usados apenas para o parto natural. Quem opta pelo parto domiciliar conta com duas especialistas em casa – e tem total suporte de seu hospital local caso precise ser transferida.

Quais são as diferenças entre o parto hospitalar e o parto domiciliar?
Geralmente, é mais fácil conseguir em casa o ambiente correto, com segurança e privacidade. Entretanto, isso também pode ser feito num hospital ou centro de parto normal, desde que exista a consciência sobre as reais necessidades da mãe. A mãe precisa ter a possibilidade de mergulhar fundo dentro de si mesma. É como uma meditação muito profunda. Ela precisa estar calma e relaxada para que o parto natural aconteça bem.

Quais são os riscos de um parto natural domiciliar?
Sólidas pesquisas mostram que, para mulheres saudáveis, com gestação de baixo risco e que desejam ter parto domiciliar, não há riscos adicionais. O parto domiciliar é seguro, desde que os critérios corretos sejam preenchidos e que a mulher tenha um profissional competente.

Qual a sua opinião sobre a explosão de cesarianas no Brasil?
Considero alarmante e precisa ser revertida. Perdemos muito, como indivíduos, famílias e como sociedade, se abandonamos a fisiologia natural do parto e passamos a considerá-lo meramente um evento médico. Este é o tema da minha palestra e de todos os cursos que ministrarei no Brasil. A sustentabilidade precisa começar com o plano milagroso da mãe natureza para o início da vida humana. Precisamos fazer perguntas do tipo: quais podem ser as consequências caso o parto natural seja extinto?

Por quê a cesariana é um problema?
A cesariana não é um problema quando há uma necessidade médica verdadeira. Neste caso, ela é a opção mais segura e salva vidas. Devemos ficar agradecidos por isto. Mas, quando não é necessária, e nem mesmo desejada, a mulher pode perder os benefícios do coquetel de hormônios do amor, que é único, e faz o parto acontecer fisicamente, criando fortes laços de amor e vínculo entre a mãe e o bebê. Esta é a mágica do parto natural – ele é governado por hormônios que atuam simultaneamente para contrair a musculatura e para facilitar esse vínculo. Não existe uma droga que faça isso. Além disso, uma cesariana com hora marcada pode ser precipitada para o bebê. Problemas respiratórios e necessidade de cuidado intensivo são mais comuns em bebês nascidos assim. Por ser uma cirurgia, há ainda riscos para a mãe e para o bebê (2 a 4 vezes mais chances de a mãe morrer na cesariana do que no parto natural). Outras complicações, como hemorragia ou infecção, também acontecem.

O que precisamos fazer para ter um parto hospitalar mais humanizado?
Creio que vocês precisam de mais obstetrizes, já que elas são as melhores profissionais para atender o parto normal. A doula não é treinada em obstetrícia e pode não ter o conhecimento para lidar com todas as situações. Treinar obstetrizes é uma prioridade. E é necessária a educação dos profissionais e pais sobre a fisiologia do nascimento. Também acredito que a criação de centros de parto normal de baixa tecnologia é um progresso. Hoje temos tantos destes locais no Reino Unido e eles são tão bons que muitas mulheres os preferem à rede particular. Penso que há um grande potencial para esta opção no Brasil nos hospitais públicos. As mulheres precisam ter o direito de escolher o melhor lugar para terem seus bebês. E, seja onde for, ter a ajuda de pessoas bem treinadas, da ciência e da tecnologia.

Como a mulher pode escolher o médico, ou outro profissional, para ajudar no parto natural?
É preciso alguém que entenda e respeite a fisiologia e tenha confiança em sua habilidade de conseguir fazer isso sozinha. Alguém com uma aura calma, que você gostaria de ter ao seu lado, e que você confie e com quem se sinta segura. De acordo com a Tália Gevaerd de Souza, diretora do Parto Ativo Brasil, as brasileiras podem fazer isso buscando informação nas redes de apoio (como a nossa), conversando com outras mães e fazendo milhares de perguntas aos profissionais que ela encontrar.

Você acha que o interesse pelo conceito do Parto Ativo está crescendo no Brasil?
Certamente. Pelo que sei, muitas mulheres no Brasil querem ter a oportunidade de se preparar para o parto natural e querem ser estimuladas pelos profissionais a fazer isto. Na verdade, existe uma corrente global para diminuir as taxas de cesariana. Assim como tenho esperanças de que seremos mais respeitosos com a mãe terra, de uma forma ecológica geral, e que aprenderemos a nos beneficiar da ciência e da tecnologia sem destruir nosso planeta, eu também acredito que vamos reconhecer, a cada dia mais, que a primeira ecologia começa no útero. Minha mensagem para as mulheres é que confiem na sabedoria de seus corpos. Vocês foram projetadas para dar à luz e não há nada a temer.

fonte:http://www.revistaherbarium.com.br/%E2%80%9Cfomos-projetadas-para-dar-a-luz%E2%80%9D/

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quinta-feira, 1 de março de 2012

Video Parto Domiciliar

Parto da Sabrina, Nascimento do Lucas - 29/11/2011

Video: Parto domiciliar assistido

Clique para assistir!


www.gruposamauma.com.br
www.alemdolhar.com.br 


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O Renascimento do Parto reforça a importância do parto normal

CRESCER

Documentário, que estreia em 2012, traz especialistas e mães defendendo a humanização do nascimento do bebê

O Brasil é o campeão mundial no número de cesarianas. Essa situação, considerada alarmante pelos médicos, gera sempre aquela polêmica do quanto o comodismo pode estar por trás do parto agendado, colocando mãe e filho em risco. No documentário, mães, médicos e especialistas, de diferentes áreas, expõem suas opiniões e defendem a valorização do parto natural. O cientista Michel Odent e o ator Márcio Garcia participam do documentário, previsto para estrear em março de 2012, aqui no Brasil. 
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sábado, 9 de abril de 2011

Filha de Ana Maria Braga relata como foi dar à luz em casa, sem uso de anestesia

CARLA NEVES

do UOL, no Rio

Dar à luz em casa, ao lado da família, e sem anestesia. Foi assim que Mariana Maffei Feola, de 28 anos, filha da apresentadora Ana Maria Braga, escolheu trazer a pequena Joana ao mundo, no último dia 3 de fevereiro, em São Paulo. A menina é fruto do casamento de Mariana com o corretor de imóveis Paschoal Feola, de 32. “Optei pelo parto em casa, sem intervenção médica. É uma experiência mágica para quem pode. Até porque, não é uma modalidade de parto para toda gestante. Existe todo um preparo psicológico e a gravidez deve ser de baixíssimo risco, como foi a minha”, contou Mariana ao UOL.

Durante o trabalho de parto, que começou no dia anterior, a filha de Ana Maria Braga contou com a ajuda das parteiras Márcia Koiffman e Priscila Colacciopo e da doula Marcelly Ribeiro. Mariana explicou como funciona o trabalho da doula, que é uma assistente que dá apoio emocional à parturiente: “Fazia aulas de ioga com a Marcelly duas vezes por semana. No dia do parto, liguei para ela assim que a contração ficou mais forte. Durante o trabalho de parto, ela fez massagens na minha lombar e me indicou posturas para quando viessem as contrações”.

Joana toma banho em um balde após nascer (3/2/2011)

Para Mariana, além do auxílio das profissionais, foi ótimo ela ter se preparado psicológica e fisicamente no decorrer da gestação. “A preparação é importantíssima. Foi fundamental eu ter feito ioga. Fiquei mais saudável. E tem toda a questão da respiração que a ioga proporciona. Porque o parto natural é basicamente respirar profundamente”, explicou Mariana, admitindo que, apesar de ser calma, teve alguns momentos de descontrole durante o trabalho de parto. “Gritei, xinguei (risos). É uma prova de resistência. Tem horas em que a dor vai embora, mas depois volta. Você não sabe quando vai nascer”, contou.

Mariana contou que, assim que começou a ter as primeiras contrações, chegou a ficar dentro de uma banheira. “Mas depois quis sair”, disse ela, lembrando que embora o trabalho de parto tenha durado a noite inteira, Joana nasceu rápido. “O período expulsivo foi muito rápido. Não tive nenhuma laceração no períneo. Foi fantástico”, afirmou ela, dizendo que no parto domiciliar, se necessário, há tempo de a parturiente ser removida para um hospital próximo. “É transformador segurar seu neném diretamente, na paz da sua casa”, elogiou.

Após dar à luz Joana, Mariana contou que logo a amamentou. “A Joana mamou, tomou um banho de balde e foi acalmando. Depois também tomei banho”, acrescentou. A filha de Ana Maria Braga disse que ela e o marido quiseram plantar a placenta no quintal de sua casa. “Plantamos a placenta debaixo de uma ameixeira”, afirmou Mariana, que só disse à mãe que havia dado à luz depois do parto. “Avisei a meus pais só depois que a Joana nasceu. Minha mãe estava fora do Brasil, só chegou um dia depois. Foi uma explosão de alegria”, contou.

Cocô no potinho

Além de ter optado pelo parto domiciliar, Mariana também escolheu ter cuidados especiais com a pequena Joana. “Descobri umas fraldas de pano modernas, daquelas com calças plásticas acopladas, e resolvi usá-las na Joana. Achei legal a ideia de não usar fraldas descartáveis”, contou ela, que encomendou várias para a neném no exterior.

O período expulsivo foi muito rápido. Não tive nenhuma laceração no períneo. Foi fantástico. É transformador segurar seu neném diretamente, na paz da sua casa

Mariana Maffei, filha de Ana Maria BragaNa segunda semana de vida de Joana, contudo, Mariana disse que ela apareceu com uma assadura. “Estava muito quente e apareceram umas bolinhas nela. Então comecei a pesquisar o que poderia fazer para evitar isso e descobri a ‘evacuation communication’, que é a comunicação da evacuação. Ela é praticada de recém-nascido até a idade de 36 meses, quando a criança começa o treino para fazer xixi e cocô”, explicou ela, que, desde então, não usa mais fraldas em Joana.

Mariana explicou que, quando está em casa, a neném fica o tempo inteiro sem fralda. “Eu a coloco para evacuar no potinho. E o xixi ela acorda e faz. Às vezes acontece de ela fazer xixi quando está tirando uma soneca. Mas ela nunca fica molhada”, garantiu Mariana, que também optou pela amamentação exclusiva até Joana completar seis meses de idade.

A filha de Ana Maria Braga também contou que tem usado roupinhas que foram dela quando nasceu. “Quando estava com sete meses de gravidez, no Natal, minha mãe me deu uma malinha com várias roupas que foram minhas: a primeira roupinha da maternidade, casaquinhos, cueiros, sapatinhos. Uma coisa linda!”, declarou.

Para acessar fotos do parto acesse o link:

Fonte: http://celebridades.uol.com.br/ultnot/2011/04/06/filha-de-ana-maria-braga-fala-sobre-os-beneficios-do-parto-domiciliar.jhtm
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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Parteiras buscam parceria com profissionais de saúde e apoio do SUS

Hoje, cerca de 30% dos partos no País são domiciliares, segundo subsecretária de Direitos Humanos

Terça, 09 de Agosto de 2010, 18h32

BRASÍLIA - A inclusão do parto domiciliar assistido por parteiras no Sistema Único de Saúde (SUS) será discutida até esta sexta-feira, 13, em Brasília, por profissionais de saúde, parteiras, gestores, representantes de organizações não governamentais e pesquisadores de 15 Estados brasileiros. Eles participam do Encontro Nacional de Parteiras Tradicionais: Inclusão e Melhoria da Qualidade da Assistência ao Parto Domiciliar no Sistema Único de Saúde.


Ainda hoje, cerca de 30% dos partos feitos no País são domiciliares, informa a subsecretária nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, Lena Peres. Segundo ela, a alta porcentagem se deve ao fato de que as parteiras vêm se modernizando, com o incentivo aos exames pré-natal - que garantem um parto mais seguro - e atuando também nas casas de parto de centros urbanos.

De acordo com Lena, a partir do reconhecimento do SUS as parteiras poderão ser cadastradas, receber qualificação para orientar as mães sobre os cuidados com os bebê e ter acesso a materiais (como luvas e álcool) e transporte no caso de complicações no parto, além de fichas de identificação para facilitar o registro civil. Elas também buscam o direito a remuneração e aposentadoria.

 É comum encontrar parteiras no interior do Norte e do Nordeste, em geral em regiões pouco urbanizadas. Elas costumam passar vários dias na casa da parturiente até que a mulher se recupere depois do nascimento do filho. É a parteira que cuida da mãe, do bebê e dos afazeres domésticos. A maioria não cobra pelo serviço, mas a família dá uma contribuição, que costuma ser pequena por se tratar de regiões pobres.

Segundo a consultora de temas ligados à saúde da mulher, Nubia Melo, o nascimento domiciliar assistido por parteira já é responsabilidade do SUS, mas os acordos assinados nesse sentido têm pouco efeito prático. “Nos locais onde elas atuam, a realidade é de abandono, exclusão e atuação isolada. Obviamente esse isolamento aumenta o risco, pois a mulher que ela assiste é a que tem menos acesso ao pré-natal”, disse.

Além do isolamento, muitas sofrem com o preconceito de profissionais de saúde, como relata Edite Maria da Silva, moradora de Palmares (PE) e parteira há 44 anos. “Cada vez somos mais desprezadas por médicos e chefes de saúde, que dizem para a mulher não fazer parto tradicional porque a criança pode estar numa posição errada para nascer. Mas, em quatro décadas, já peguei menino até pelo bumbum e ele e a mãe passaram bem. O médico também não pode subir o morro, acompanhar a mulher e acudi-la de madrugada, enquanto nós fazemos o que precisar, colocando amor e conhecimento nas mãos para pegar a criança”, afirma.

 A dificuldade de integração entre o trabalho feito pelas parteiras e a estrutura de saúde pública também foi citada como um dos motivos para a necessidade de a profissão ser reconhecida pelo SUS. “Parteiras são barradas em maternidades quando querem acompanhar a mulher ou pedir materiais, mas elas são as verdadeiras profissionais de saúde da floresta, porque são formadas lá e têm mas experiência do que quem tem a teoria”, disse Edna Brandão, da tribo Shanenawa (AC), coordenadora de uma organização de mulheres indígenas. Apesar de depender de um conhecimento tradicional, normalmente repassado de mãe para as filhas, o trabalho dessas mulheres é, às vezes, a única alternativa de apoio às gestantes.

Fonte: http://m.estadao.com.br/noticias/vidae,parteiras-buscam-parceria-com-profissionais-de-saude-e-apoio-do-sus,592651.htm
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sexta-feira, 2 de abril de 2010

Video - Matéria - Parto na água

Clique para assistir o Video!

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quinta-feira, 4 de março de 2010

Parto em casa é seguro

Dra. Melania Amorim

Li com atenção a interessante matéria do Guia do Bebê sobre Parto em Casa. Efetivamente, a recente notícia de que o parto da modelo Gisele Bundchen foi assistido nos Estados Unidos em sua própria residência, dentro da banheira, teve grande repercussão na mídia e despertou grande interesse em diversas mulheres, além de debate por diversas categorias profissionais.

Entretanto, mesmo bem preparada, a matéria peca por apresentar apenas o ponto de vista de uma única obstetra, sem considerar a visão de diversos outros profissionais que podem participar da assistência ao parto e, sobretudo, sem analisar a opinião das mulheres.

Como obstetra, pesquisadora e integrante do Movimento de Humanização do Parto no Brasil, não poderia deixar de contrapor a este ponto de vista, digamos, “oficial”, por refletir a opinião de grande parte dos médicos-obstetras em nosso País, considerações baseadas não em “achismos” ou receios, mas em evidências científicas.

O parto em casa, conquanto seja uma modalidade ainda pouco freqüente no Brasil, representa uma realidade dentro do modelo obstétrico de diversos outros países, como a Holanda, onde 40% dos partos são assistidos em domicílio, dentro do Sistema de Saúde. Mas vários outros países europeus e até os EUA contam com estatísticas confiáveis pertinentes aos partos atendidos em casa, e é impossível falar em RISCOS ou SEGURANÇA sem considerar os resultados dos diversos estudos já publicados sobre o tema.

Em 2005, chamou a atenção a publicação de um interessante estudo analisando os desfechos de partos domiciliares assistidos por parteiras na América do Norte: "Outcomes of planned home births with certified professional midwives: large prospective study in North America"[http://bmj.bmjjournals.com/cgi/content/full/330/7505/1416?ehom]. O estudo incluiu 5418 mulheres. A taxa de transferência para hospital foi de 12%, com uma taxa de cesariana de 8, 3% em primíparas e 1,6% em multíparas.

A frequência de intervenções foi muito baixa, correspondendo a 4,7% de analgesia peridural, 2,1% de episiotomias, 1% de fórceps, 0,6% de vácuo-extrações e uma taxa global de 3,7% de cesarianas. A taxa de mortalidade perinatal (intraparto e neonatal) foi de 1,7 por 1.000, semelhante à observada em partos de baixo risco atendidos em ambiente hospitalar. Não houve mortes maternas. O grau de satisfação foi elevado (97% das mães avaliadas se declararam muito satisfeitas). A conclusão deste estudo foi que os partos domiciliares assistidos por parteiras têm os mesmos resultados perinatais que os partos hosp italares de baixo risco, com uma frequência bem mais baixa de intervenções médicas. Entretanto, alguns críticos comentaram que o número de casos envolvidos seria insuficiente para determinar a segurança do parto domiciliar em termos de mortalidade materna e perinatal.

Seguiram-se vários outros estudos, publicados em diversas regiões do mundo, comparando a morbidade e a mortalidade tanto materna como perinatal entre partos domiciliares e hospitalares. A conclusão geral é que o parto domiciliar NÃO envolve mais riscos para mães e seus bebês, e cursa com vantagens diversas, relacionadas sobretudo à expressiva redução de intervenções e procedimentos. Partos assistidos em casa têm menor risco de episiotomia, de analgesia de parto, de uso de fórceps ou vácuo-extrator, de indicação de cesárea e a taxa de transferência hospitalar fica em torno de 12%. Destaca-se ainda o conforto e a satisfação das usuárias, que vivenciam uma experiência única e transformadora em seu próprio lar.

O estudo mais recente publicado no British Journal of Obstetrics and Gynecology (2009) analisou a morbimortalidade perinatal em uma impressionante coorte de 529.688 partos domiciliares ou hospitalares planejados em gestantes de baixo-risco: Perinatal mortality and morbidity in a nationwide cohort of 529,688 low-risk planned home and hospital births. [http://www3.interscience.wiley.com/journal/122323202/abstract?CRETRY=1&SRETRY=0]. Nesse estudo, mais de 300.000 mulheres planejaram dar à luz em casa enquanto pouco mais de 160.000 tinham a intenção de dar à luz em hospital. Não houve diferenças significativas entre partos domiciliares e hospitalares planejados em relação ao risco de morte intrapa rto (0,69% VS. 1,37%), morte neonatal precoce (0,78% vs. 1,27% e admissão em unidade de cuidados intensivos (0,86% VS. 1,16%). O estudo conclui que um parto domiciliar planejado não aumenta os riscos de mortalidade perinatal e morbidade perinatal grave entre mulheres de baixo-risco, dese que o sistema de saúde facilite esta opção através da disponibilidade de parteiras treinadas e um bom sistema de referência e transporte.

Parteiras treinadas ou midwives, em diversos países, são aquelas profissionais que cursam em nível superior o curso de Obstetrícia e são treinadas para atender partos de baixo-risco e, ao mesmo tempo, desenvolvem habilidades específicas para identificar os casos de alto-risco, providenciar suporte básico de vida em emergências, tratar potenciais complicações e referenciar ao hospital, quando necessário. Essas profissionais, como a que atendeu Gisele Bundchen, estão aptas para prestar o atendimento à mãe durante todo o parto, bem como para assistir o bebê imediatamente após o nascimento e nas primeiras 24 horas de vida. Embora não haja necessidade de equipamentos sofisticados ou de UTI à porta da casa da parturiente, o material básico de reanimação neonatal é providenciado pelas parteiras certificadas. Parteiras também podem atender em hospital, de forma independente ou associadas co m médicos.

Uma revisão sistemática recente encontra-se disponível na Biblioteca Cochrane com o título de “Midwife-led versus other models of care for childbearing women” [http://www.cochrane.org/reviews/en/ab004667.html]. Esta revisão demonstra que um modelo de cuidado com parteiras associa-se com vários benefícios para mães e bebês, sem efeitos adversos identificáveis. Os principais benefícios são redução de analgesia de parto, menor número de episiotomias e partos instrumentais, maior chance de a mulher ser atendida durante o parto por uma parteira já conhecida, maior sensação de manter o controle durante o trabalho de parto, maior chance de ter um parto vaginal espontâneo e de iniciar o aleitamento materno. A revisão conclui que se deveria oferecer à maioria das mulheres (gestantes de baixo-risco) a opção de ter gravidez e parto assistidos por parteiras.

Em resumo, as evidências científicas disponíveis corroboram a segurança e os efeitos benéficos do parto domiciliar. Apenas criticar e apontar possíveis complicações, sem comprovar as críticas com evidências bem documentadas, publicadas em revistas de forte impacto, não pode ser mais aceito em um momento da história em que os cuidados de saúde devem se respaldar não apenas na opinião do profissional mas, ao contrário, devem se embasar em evidências científicas sólidas. Este é o preceito básico do que se convencionou chamar de “Saúde Baseada em Evidências”, correspondendo à integração da experiência clínica individual com as melhores evidências correntemente disponíveis e com as características e expectativas dos pacientes”. Embora iniciado na Medicina (“Medicina Baseada em Evidências”) esse novo paradigma estende-se a todas as áreas e sub-áreas da Saúde.

Melania Amorim, MD, PhD

Esta página foi publicada em: 03/03/2010.
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